Diretora Vânia Goulart e comitê gestor responsáveis por este acompanhamento.

Em cinco meses, Iuri Vitor Dias, 18 anos, fez a vida mudar. “Deixei de ser um jovem que não pensava no futuro e via na escola um local de obrigação. Agora sou alguém que quer estudar e que sabe quem vai ser no futuro”, contou o jovem, que sonha em ser policial. “Já retomei os estudos, e aguardo o novo concurso. Eu já me vejo fardado, de uniforme, sentindo orgulho de quem em sou”, salientou.
A história de Iuri tocou a todos que participaram, na noite de terça­feira (5), da cerimônia de conclusão do Projeto JovemSer, desenvolvido pela Escola Brasileira de Coaching (Ebracoaching), em São Torquato, bairro piloto do Programa Ocupação Social. Ao todo, 21 afilhados receberam o certificado durante o evento, que ainda homenageou os coaches, orientadores profissionais que atuaram diretamente com esses jovens, oferecendo um atendimento individual e personalizado, durante um período de cinco meses.
“As reuniões semanais foram fundamentais para criar o laço com o afilhado. No caso do Iuri, pudemos trabalhar esse sentimento de liderança, que ele sempre teve, mas que não conseguia enxergar”, explicou o coache Felipe Seibel.

Dedicação

Os encontros eram semanais e a cada nova reunião, os coaches tinham a oportunidade de conversar sobre os sonhos dos afilhados, saber mais sobre a vida deles e quais seriam os sonhos que cada um queria alcançar.
“Um trabalho diferenciado, que trabalhou de forma voluntária o serviço de coaching e com pessoas que precisam de uma nova oportunidade na vida. Nosso objetivo era mudar a história dessas pessoas, e acho que conseguimos”, comemorou o coach executivo e diretor da Ebracoaching, Antônio Brito.

Entre essas histórias está a do jovem Geovani Silverio, 17 anos, que após as primeiras reuniões com a coache Márcia Freitas retomou os estudos e conseguiu um emprego.
“Eu não estava mais tendo o controle da minha vida. A impressão era de que eu tinha desistido. Mas esses encontros foram fundamentais para eu retomar esse controle e seguir adiante. Estou estudando, trabalhando e quero ainda mais”, falou Geovani, que acabou de passar para o 2º ano do Ensino Médio.

Compromisso

Cada conquista alcançada por esses afilhados foi celebrada por toda equipe. Há até o sonho de se construir um projeto social, que envolva esporte e cultura, para atender aos moradores do bairro São Torquato. “Um comitê foi criado dentro do projeto, porque mais de um dos afilhados tinha esse mesmo sonho. E temos certeza de que eles, juntos, terão mais força de alcançar o que almejam”, ressaltou o coordenador do Projeto JovemSer, Fernando Gadelha.
Para a secretária de Estado de Ações Estratégicas, Gabriela Lacerda, o Projeto JovemSer prova que é possível chegar a quem mais precisa e a ajudar a mudar a vida dessas pessoas.
“O que precisamos fazer é levar oportunidades. Sabemos que existem áreas mais vulneráveis socialmente, e onde os jovens estão mais expostos à violência. São nesses 25 bairros que o Ocupação Social chegou, fez o trabalho de pesquisa mapeando as características dessas áreas e conhecendo melhor os jovens dali, especialmente os que já abandonaram os estudos. Aos poucos conseguimos levar projetos aos bairros, com soluções construídas com nossos parceiros, como a Ebracoachin e o Movimento Espírito Santo em Ação, os primeiros a aceitarem o desafio. Um projeto piloto em no nosso bairro piloto, São Torquato. E, hoje, temos a grata surpresa de ouvir histórias tão belas, como as de Iuri e de Geovani. É animador, um combustível extra para seguir adiante como nossos objetivos”, salientou Gabriela Lacerda.

Etapas

O projeto voluntário de coaching social foi desenvolvido com o objetivo de garantir a chance de que todos os moradores atendidos tivessem a orientação de um profissional que o ajudassem a construir um plano de vida. O piloto foi implantado em São Torquato, Vila Velha, envolvendo mais de 20 coaches voluntários, com reuniões entre os orientadores e os jovens afilhados sendo realizadas em dois espaços: na Escola Estadual Silvio Rocio e na Casa de Oração.
“Esse envolvimento da comunidade é fundamental para que as ações do Ocupação Social consigam avançar. Quanto maior a rede de mobilização no bairro, maior o número de ações e de projetos desenvolvidos”, ressaltou a secretária de Estado Extraordinária de Ações Estratégicas, Gabriela Lacerda.

Ações

O Programa Ocupação Social está em 25 bairros, de nove municípios do Estado atingindo a Grande Vitória e o interior. Essas áreas foram atendidas por concentrarem, historicamente, o maior número de homicídios, em especial entre os mais jovens.
Os principais objetivos do programa são a redução do índice de homicídios na faixa etária entre 15 e 24 anos (hoje, 40% das vítimas têm essa idade), o aumento do percentual de jovens estudando e/ou trabalhando e a redução do abandono escolar.

Fonte: Seae